Próximas Praças

Maio

*Dia 22 – Teatro a Bordo em Santos às 15h30 na Praça da Paz - ZN

Espetáculo Bufonarias II

*Dia 25 – Teatro a Bordo em Santos às 15h30 no Conjunto dos Estivadores-ZN

Espetáculo Bufonarias II

*Dia 26 – Praça Rui Barbosa em Campinas às 11h

Espetáculo Bufonarias II

*Dia 30 – Teatro a Bordo em Santos às 15h30 no Emissário Submarino

Espetáculo Bufonarias II

Junho

*Dia 02– Teatro a Bordo em Santos às 15h30 na Praça dos Andradas

Espetáculo Bufonarias II

*Dia 09 – Teatro a Bordo em Santos às 15h30 na Fonte do Sapo

Espetáculo Bufonarias II

Julho

*Dia 1º -Teatro nos Parques- Parque Raul Seixas às 15h

Espetáculo Bufonarias II

*De 10 a 15 de julho espetáculo Bufonarias II no Rio de Janeiro pelo projeto Palhaço na Praça IX edição nas praças:

Catete (Praça do Largo do Machado)

Cosme Velho (Praça São Judas Tadeu)

Madureira (Praça do Patriarca)

Centro (Largo da Carioca)

Maracanã (Quinta da Boa Vista)

Flamengo (Aterro do Flamengo)

*Dia 29 -Teatro nos Parques- Bosque Maia Gua (Guarulhos) às 14h30

Espetáculo Bufonarias II

Espetáculo "Arrumadinho"



Release

Um cortejo profético e anunciador. Seis gerentes de venda e suas respectivas visões de mundo e de mercado, que através de um jogo intenso com o público provocam, criticam e questionam o homem moderno, bem como a pateticidade que o cerca em relação ao trabalho e ao sonho de prosperidade.       "Arrumadinho" da Trupe Olho da Rua é uma revista épica – urbana, uma brincadeira de pular corda ou uma ode as indústrias farmacêuticas. 


Criação Coletiva
Espetáculo Arrumadinho
Direção- Zeca Sampaio
Assistente de Direção – Caio Martinez Pacheco
Atores – Alan Plocki, Caio Martinez Pacheco, João Paulo Pires, João Luiz Pereira, Raquel Rollo e Rogério Ramos.
Equipe Técnica-  1 integrante
Direção Musical – Coletiva.
Figurinos – Trupe Olho da Rua.
Cenário – Trupe Olho da Rua.
Sonoplastia – Trupe Olho da Rua.
Produção – Trupe Olho da Rua.
Iluminação – Deus.
Duração – 60 minutos.
Classificação Livre.
       

Crítica espetáculo Arrumadinho

OS ARRUMADINHOS... UMA POÉTICA NA/DA PERIFERIA
Na bela Praça Mauá, tendo a importante sede da Prefeitura Municipal de Santos às costas, e repleta de transeuntes – na maioria santistas, quero crer - , nos interstícios da passagem de uma manhã e início de uma cinzenta tarde, os artistas da surpreendente Trupe Olho da Rua, de Santos, disfarçados de mendigos, dão início à sua performance. Espalhados pela Praça cinco dos seis jovens atores do grupo aproximam-se espaço delimitado para apresentação do espetáculo, e um a um, ao retirar a “casca”: um nem tão velho cobertor que os cobre, metamorfoseam-se em, nem tão otimistas como pretendem demonstrar, personagens das sedes do mundo administrado e globalizado.
Arautos sujeitados ao mundo das grandes empresas, por intermédio de um excelente jogo de envolvimento com os espectadores e mesmo passantes do espaço público, os atores-músicos-narradores, seduzem a todos aqueles que gostam e apreciam bom e sofisticado teatro. É disso que se trata. Sob uma aparente simplicidade, como de sorte todo o bom teatro popular (refiro-me aqui àquelas obras construídas coletivamente a partir do compromisso com a acessibilidade), a trupe que escolhe a rua e não só em seu nome, coloca em revista, em chave de sátira, métodos, abordagens, alcances e a coisificação dos seres, dentro ou fora das empresas.
No mundo dito globalizado, todos os conceitos e práticas são permanentemente revistados e transformados em mercadoria. Desse modo, o dentro e o fora, ao se misturarem, colocam a todos nós, esquecidos de nossa condição latino-americana, em um beco sem saída, mas com alguns ladrões (respiradores) para a consciência. Mesmo sem apresentar uma apologia à consciência, o grupo organiza o seu discurso dramatúrgico e sua proposta de encenação, fundamentados em uma troca de experiência crítico-lúdica coma platéia.
Transformados de mendigos em seres arrumadinhos (entenda-se: aparatados de acordo com o mundo do trabalho empresarial. De outro modo: do mendigo vem o burguês) os espectadores mais próximos recebem destes um crachá. Aceito o crachá, não importando se dependurado ao longo do corpo ou não, o ritual de passagem se dá: o último mendigo é um “sujeito cartão-de-crédito”, depois um homem-bomba, e, por último, uma paródia de Cristo crucificado. De certa forma, o assunto político, revisitado de modo ácido e cômico, aproxima-se muito de algumas das experiências do CPC da UNE (Centros Populares de Cultura da União Nacional dos Estudantes), no Rio de Janeiro, no início dos anos de 1960.
O espetáculo da vida como simulacro (aquilo que parece, sem ser) apresentado em uma sucessão de curtos quadros parece ter a função, também, além de divertir, demolir todas as esperanças vendidas cotidiana e otimistamente a nós. Por entre esses quadros, os atores, em normalmente, números solo, relacionam-se com os espectadores. A escuta dos atores incorpora à cena muitas sugestões apresentadas pelo público.
Brincadeira de corda, repetição de slogans otimistas, cafezinho, balinhas oferecidas como pílulas, espectador feito camelô é instado a vender objetos que não são seus por um real... muitos e bons achados são desenvolvidos por meio de domínio e orquestração dos jovens atores, em processo de troca com o público.
Relação de prazer nos quase sessenta minutos de espetáculo. A Trupe Olho da Rua, além dos domínios exigidos pela cena na rua, encantam. Que venham, portanto, muitos outros trabalhos e trocas. Santos tem um surpreendente grupo de teatro de rua. Iss`aí!
 
Alexandre Mate
Professor do Instituto de Artes da UNESP e pesquisador de teatro
Santos, 06/09/2008